31.5.11

Caraleo, frio de Santana

Não tinha vértebras, mas estalactites. Cada passo soava como pedrada em cristaleira. Um Quixote de LEGO. O frio passando pelo casaco como se fosse a fronteira do Paquistão. O cachecol era uma voluta espiritual, um suspiro. Pés gelados. Pari pasu pra casa. Solo.

30.5.11

Começa bem

Caiu do viaduto.
Caiu em si;

- Tenho vinte anos e já linhas de expressão. Isso não é justo. Exasperava uma concha à outra;

A onça espadanou com pás de moinhos de vento:
Os lápis de concreto, então choveu pedras do rim;

O relógio trinava. Rapinava minha vida com miudezas;

Me convidava pro chá das cinco, naturalmente.
Não tinha biscoitos. Não dos que eu gostava;

Com a caneca eu tropeçei pra ontem.
Era um remelexo de tonificar abdômen;

- Quanta arrogância por tão pouca pessoa, pensei, nobre.
Comi tabletes. Deixei debaixo da língua algo queimando;

Eferveciam minhas perspectivas.
Desisti. Qual a novidade, elefante?

Que dor na coluna. Anexo pra Central. Meu sacro no envelope.
"Fumaça". "Onde?". "Na História";

Pulverizei más notícias. Sou jornalista, porra;
Vesti as sandálias da humildade e calçei os clichês;

Chorei por demorar tanto. Chato o meu poema.
Tão bom de se livrar.