A chuva isolava em penínsulas a terra e as folhas. No barral, um pássaro se sobressaía, impermeável aos pingos. Rasando. Os pingos d'água, num paroxismo existencialista, se encarapitavam nas pontas dos galhos evitando se imiscuir com os outros pingos e se tornar catadupa, multidão.
O pássaro embainhava as asas como um morcego, e ouvia o crepitar. Unhas esmaltadas de roxo, fatias de pneumáticos, canudos brancos: "humanos", meneou a cabeça automaticamente e mergulhou.
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