23.6.11

Insuportável

 Foi uma violência visual aquele casal de mãos dadas. Meu Corpus Christi parece Dia dos Namorados. Meu coração se engomou com uma corda.
 No Mundo Livre tinha um estande da Chilli Beans. Meus amigos olhando óculos escuros cinco da manhã. A mulher veio me atender e eu fui ríspido, ela levantou as mãos e implorou tá-bom. Me senti mais lixo. Eu deplorando o estado da minha garganta, só queria dormir, morrer, enfim, qualquer fuga já que a sugerida por Sartre: piscar - e se pisca quatro mil vezes/minuto -, tinha lá suas falhas. Até o cigarro tinha esgotado suas possibilidades, no momento em que depende do bem-estar da minha garganta.
 Que drama pelo sexo oposto. Nem vale a pena. Só queria que parasse de doer, porque ando me achando um esquizo masoquistinha. Quase na porta do psiquiatra mais sádico com as anfetaminas. Caminho  ameaçando chorar. Desde domingo não me suporto, fico gorando como fui estúpido. Como se não fosse criar mais motivos para me desorgulhar ainda. É insuportável.
 Vejo corvos brancos nos ombros dos bancos. A praça responde à anseios dos brônquios e cospe pombas introjetando a extinção. Anônimo, eu leio um livro enquanto os pretensos rockers me ridicularizam com sua linguagem pré-embalada.
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 Porra, Alcione Araújo esqueceu que como intelectual também cria suas gírias e seus códigos para não ser incomodado. É mais contraventor ainda. Afinal, quantas cabeças na platéia do SESC, naquela noite da 1ª Mostra, entendiam o que significa "ilação". Não o cristo que representava "a pessoa" do prefeito, que, eu suponho - mas sem arrogância - que nunca viu uma peça em detrimento de pilhas kafkianas de processos.
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 Ando meio shoegazer também. Loveless sempre me pareceu uma falência aos ouvidos, agora levantava até defunto. Mas, lembrando, odeio clichês.

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