17.6.11

"Nem sempre se tem pernas"

 Investir a vida de sublime. Normalmente me tiram pra bicha por isso. Se enquanto eu caminho mastigando nuvens nuvem as pessoas, pior ainda, inalam do monóxido das suas próprias circunstâncias numa festa, por exemplo, num pisotear chulo - e monótono em seu conjunto, demasiado uniforme - de afirmação de juventude, tão própria dos velinhos que temem o dia em que vão ter que se recolher nos seus cantos, antecipando.
 Claro, eu não sei dançar. E a noite é escura e o dia não suporta ficar chuvoso, então sempre me obrigo às lentes escuras pra não baixar a cabeça. Que vida. Seria de sofrer pra investir de "felicidade" o marasmo, como a esposa do Stalker sugere no filme homônimo? Seria só um nome, aliás, como tudo.
 *
 Ninguém gostou muito da peça. Eles descambaram do kitsch pro ridículo quando as galinhas alçaram do baú e os atores penaram pra trazê-las pra debaixo da ribalta de novo. Mas foi tão particular ver o cara que retira o lixo batendo no peito coberto de espuma do exterminador de pragas & animais. Eu quase chorei. Atrás as bocas estouravam as costuras de marionete.
 Gastei um bocado depois. Bife de soja é uma hipocrisia e tem gosto, imagino, de bolo de lama

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